sábado, 23 de abril de 2011

Japão sofre com exageros da mídia estrangeira sobre crise nuclear


OSAKA, Japão - "Tóquio está coberta por uma nuvem radioativa que atravessará o Pacífico". "Um novo tremor gigante desencadeará a erupção do Monte Fuji". "Um reator nuclear no bairro de Shibuya, coração fashion de Tóquio, está ameaçado". "A radiação chegará à França". Manchetes sensacionalistas publicadas nos últimos dias - principalmente na imprensa estrangeira - têm ajudado a espalhar um pânico mundial em relação à crise no Japão, que é muito grave, mas não apocalíptica como sugeriram alguns veículos desde o terremoto do dia 11. Acostumados a um tom jornalístico mais moderado - e, em geral, mais oficialista - os japoneses declararam guerra a exageros de meios de comunicação que, acreditam, estão incentivando a fuga em massa e destruindo a imagem do país.
Internautas criaram um site - o Mural da Vergonha Jornalística - onde reúnem dezenas de reportagens consideradas especulativas ou irresponsáveis, além de erros graves, como o cometido pela Fox News. A rede americana identificou uma casa noturna no centro de Tóquio, Shibuya Eggman, como uma usina nuclear. Setores da mídia reconhecem que o catastrofismo não ajuda ninguém numa hora como esta, mas lembram que a tradicional falta de independência da imprensa japonesa tampouco permite que a população se sinta bem informada.
- Houve uma tendência ao exagero na imprensa estrangeira. Na Europa, por exemplo, a crise é tratada como se fosse o fim do mundo. Mas o governo japonês não sabe se comunicar com o público dentro ou fora do Japão e acredito que as embaixadas deveriam realizar entrevistas coletivas para manter seus cidadãos a par dos acontecimentos de uma maneira transparente - diz o presidente do Clube dos Correspondentes Estrangeiros no Japão, o suíço George Baumgartner.

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